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BRAVÃES OU OFIR?

Fig.1 Casa em Bravães, em cima e casa de Ofir de Fernando Távora, em baixo.

Hoje apetece-me falar sobre um interessante fenómeno do mercado construtivo atual. Cada vez mais se vulgarizam as chamadas ‘casas de arquiteto’, num meio que ainda não está, na sua generalidade, culturalmente apto a compreender e valorizar arquitetura de qualidade (projetistas incluídos).
A produção arquitetónica rege-se por uma cultura que absorve e reinterpreta símbolos, transformando-os. A falta de criatividade, ou o facilitismo, ou a humildade, ou outra coisa qualquer tem levado a que os símbolos sejam seguidos ao pormenor, não vá a obra ficar incoerente, ou inestética, ou inadequada, ou inoutracoisaqualquer.

O SONHO DO ARQUITETO

Uma das coisas que o homem procura quando produz arte é o reconhecimento de uma autoria, que o seu legado seja transmitido através das suas criações. O arquiteto, por natureza educado com bases artísticas, não é alheio a esse sentimento. O desejo de criar, de ser autor, de deixar a sua marca corre no sangue da maioria. 

VILA DO RISCO AO LADO - PONTE DA BARCA




Não sou nem pretendo ser um historiador de urbanismo, mas como jovem barquense tenho uma certa curiosidade pelas pistas do passado que me vão surgindo, quer em conversas com os mais velhos, quer em fotografias antigas que me aparecem aqui e ali...

Gostei especialmente desta a preto e branco que encontrei emoldurada na parede do edifício "santo António do Buraquinho" , que mostra Ponte da Barca numa altura em que já haviam helicópteros mas ainda não se tiravam fotos a cores (como vêm, o meu rigor histórico é quase nulo, mas para efeitos do que pretendo refletir, serve perfeitamente).

O MITO DA CRIAÇÃO DIVINA

A formação de arquitetos é cega. O arquiteto mainstream ganha a ideia de que é um criador, uma espécie de Deus na Terra, capaz de criar a perfeição. Regozija-se ao saber que até Deus falhou a sua criação perfeita, e vai insistindo no erro com uma vantagem clara: a fotografia. A perfeição da criação desmorona-se quando aparece a serpente, a tentação, o diabo, coisas que também podem ser chamadas de patologias da vida. Por isso, há que tirar a fotografia antes que a vida estrague tudo.