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PIMBA 1 - 0 ARQUITETURA


Quem quiser ver este magnifico sequeiro deve ter escassos meses para o fazer. Fica junto à capela de Santo André, perto do parque empresarial de Vila Nova de Muía. A cultura pimba que já kitou a mini capela com uma bruta placa de betão na cobertura e uma parafernália de cabos, cabinhos, altifalantes e contadores, vai agora continuar a destruição de património com a demolição do sequeiro. Esta intervenção permitirá a passagem dos cameões-palco dos conjuntos-pimba em dias de festa.
COORDENADAS GPS:  41°48'29.17"N   8°23'4.58"W

KUDURO PORTUGAL MIX


Os movimentos artísticos manifestam-se geralmente em artes bastante diferentes, com premissas semelhantes. Há uma corrente do pimba contemporâneo que se apropria dos ritmos exóticos do kuduro e os encaixa à bruta na estrutura musical pimba. Quando o casamento de géneros não é bem pensado, o resultado não passa de uma colagem forçada, que nos soa artificial, nem portuguesa, nem africana.
Como não podia deixar de ser, este movimento artístco tem paralelo na arquitetura. Um dos expoentes máximos é a capela do Senhor dos Milagres em Arcos de Valdevez, que funde de uma forma pouco engenhosa a tradicional capela pimba com a casa tradicional africana.

SENHOR ARQUITETO, QUERO MUDAR O TELHADO!


Ora viva Sr. Arquiteto. Ouvi dizer que não faz falta licença para obras nos telhados. Por isso estava a pensar em subir um bocadinho o meu telhado para ter um sotão habitável, de 3 pisos. Haverá problema?

(casa em S. Jorge, Arcos de Valdevez)

BRAVÃES OU OFIR?

Fig.1 Casa em Bravães, em cima e casa de Ofir de Fernando Távora, em baixo.

Hoje apetece-me falar sobre um interessante fenómeno do mercado construtivo atual. Cada vez mais se vulgarizam as chamadas ‘casas de arquiteto’, num meio que ainda não está, na sua generalidade, culturalmente apto a compreender e valorizar arquitetura de qualidade (projetistas incluídos).
A produção arquitetónica rege-se por uma cultura que absorve e reinterpreta símbolos, transformando-os. A falta de criatividade, ou o facilitismo, ou a humildade, ou outra coisa qualquer tem levado a que os símbolos sejam seguidos ao pormenor, não vá a obra ficar incoerente, ou inestética, ou inadequada, ou inoutracoisaqualquer.

9999





Não sou de dar muita importância a números mas é com algum agrado que vejo o meu jovem blog atingir as 9999 visualizações sem ter nada de jeito. Fica apenas a promessa de que o conteúdo não vai melhorar doravante.
A propósito do festejo, lanço o convite para visitarem a feira do livro de Ponte da Barca amanhã, dia 23 de Maio às 16:30h, onde vão poder encontrar um dos arquitectos que participou no inquérito à arquitectura popular. Não, não é o António Meneres outra vez. Desta vez é o professor Carlos Carvalho Dias. Vem apresentar o livro "Memórias de Trás-os-Montes e Alto-Douro". 
No programa que circula da feira do livroo nome da obra é "Arquitetura Popular", mas tudo não passa de um erro.

UM PEQUENO PASSO PARA A HUMANIDADE, UM GRANDE PASSO PARA A BARCA


Ao que tudo indica, Ponte da Barca, palco da arquitectura popular de toda a espécie e geração, foi a terra escolhida pela Escola Superior das Artes de Coimbra (antiga ARCA) para acolher o curso de estudos avançados em arquitetura popular que se realiza no próximo ano lectivo.
Estão ainda em estudo as unidades curriculares do curso, que serão discutidas entre a instituição de ensino e o município, havendo um interesse local para utilizar exemplos da arquitetura popular barquense como casos de estudo.

"A ARQUITETURA POPULAR E TERRITÓRIO"

(instalação de rede de águas com originalidade popular)

A quinta edição do ciclo de tertúlias e conferências Quintas na Barca inicia-se amanhã, dia 15 de Maio de 2014, com o Arquiteto Manuel Teixeira, Professor Catedrático da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e o Engenheiro Francisco Calheiros, Presidente da Turihab, com uma refl exão em torno da Arquitetura Popular, dos seus valores e de como estes podem constituir uma oportunidade para o território.
Org.: Município de Ponte da Barca
Local: Paços do Concelho (câmara municipal)

CORTIÇA NOJARCOS, SOBREIROS EM PONTE

casa de cortiça em Arcos de Valdevez (fonte: https://www.facebook.com/pages/the-cork-house/161155860638987)

De vês enquanto nas redes sociais lá aparecem "posts" leigos de arquitectura. Ou é a casa mais pequena do mundo, ou é a casa maior do mundo, ou é feita em contentores, ou é 100% ecológica. A última que me apareceu é a casa de cortiça de Arcos de Valdevez! O artigo da auto intitulada "primeira casa em  Portugal integralmente feita com revestimento de cortiça" surge num site português de luxemburgo. Ora o que é que eu tenho a dizer? 

BRAVÃES, 1972

Em 1972 realizou-se em Bravães a missa nova do padre Freitas, momento registado na fotografia a cima. Em baixo está a mesma prespetiva, 42 anos depois.
A única estrada pavimentada era a estrada nacional, que aparece na fotografia. A primeira estrada secundária só foi aberta 3 anos depois. A luz eléctrica fazia 12 anos em Bravães, pelo menos a da igreja.

MIMETISMO ARQUITETÓNICO

Em 1931, lá pelas américas, um comerciante fez um edifício em forma de pato, que vendia ovos de pato. O edifício ficou famoso no livro "Learning from Las Vegas" do célebre arquitecto americano Robert Venturi.
Ao lado, temos um exemplar da mesma espécie. Um edifício em forma de barril, que vende garrafas de vinho verde de Ponte da Barca!
O desenho da esquerda é de Robert Venturi, e o da direita é de Roberto Ventura, um pseudónimo que me acabou de surgir.


Os arquitetos perderam o costume de contemplar sem espírito de crítica o ambiente. A arquitetura moderna tem sido tudo menos tolerante. Os arquitetos preferem mudar o meio ambiente a revaloriza-lo. Mas não é nenhuma novidade inspirarmo-nos no vulgar, a arte culta provem muitas vezes da arte popular. Se olharmos para trás, para a história e tradição para avançar, também podemos olhar para baixo para subir. 



Robert Venturi

CASA DO TRACTOR

Aqui está um projeto que eu gosto, que se funde num olhar desatento com os barracões e anexos que se vão construindo um pouco por toda a paisagem dos novos meios rurais. O projeto é do A.s* Atelier De Santos. Um bom exemplo de como armar barraca.

CASA E PASTOR


Típica casa de montanha, no monte da Pegadinha, em Bravães. Ao fundo, o pastor guarda as ovelhas.

SOCRTATES, REVISITAR UM CLÁSSICO

CAMINHOS DOS LUGARES

A meio da minha dissertação de mestrado, que estuda os atores e os autores da arquitetura do quotidiano no vale do Lima, é com agrado que vejo o território difuso ser, cada vez mais, tema de discussão cientifica em arquitectura.
O último caso é o da revista unidade, que pretende que o seu próximo número debata o tema da ocupação complexa e fragmentada dos territórios portugueses, destacando o NO português. 

Caminhos dos lugares:
Colonização da cidade in-formal (RETIRADO DA PÁGINA WEB DA REVISTA UNIDADE)


O debate sobre o território contemporâneo confronta-se com paradoxos enredados numa estrutura de inegável complexidade material e formal. A paisagem do noroeste português, muito em particular, é exemplo dessa complexidade, de onde são perceptíveis marcas simultâneas de antiguidade e contemporaneidade que compõem um sistema prolixo comum.

NEO MODERNO VS NEO RÚSTICO




Depois do advento, da prosperidade e do apogeu do neo-rural que pontuou a paisagem construtiva arquitectónica corrente, com zénite na segunda parte dos anos 90, o novo-riquismo arrivista vai adaptando o seu cânone arquitectónico a linguagens mais consentâneas com uma qualquer ideia de sofisticação e de modernidade.

FACHADA

Lá ia eu e a minha ingenuidade, que sempre me acompanha, pelas ruas de Matosinhos, até que esta casa nos chamou à atenção. Saquei da máquina fotográfica, tirei o retrato e segui caminho, curioso por saber quem seria o desenhador daquela fachada tão ambígua. Era demasiado livre para ser erudita, mas tinha uma atenção para a composição que não é para qualquer popular. Uns dias depois, dou com a mesma casa numa tese de mestrado. Afinal vai-se a ver e é uma casa do Siza, em Matosinhos. Bela gaiola, mr. Pritzker I.

APOTROPISMO CONTEMPORÂNEO


A cultura popular utiliza desde que há memória uma série de elementos simbólicos no exterior do seu espaço doméstico, carregados de significado. Geralmente são elementos apotropaicos, ou seja, elementos com o objetivo de afastar os males que possam surgir.

WRIGHT OR WRONG?



A casa da cascata, de Frank Loyd Wright, é provavelmente a obra arquitetónica mais icónica do último século, atingindo universos muito para além da cultura arquitetónica. 
Cinquenta anos passados surgem estas re-interpretações pimba, mais uma vez junto à estrada nacional 203 entre Ponte da Barca e Ponte de Lima.

MARQUISE


Gosto dos gestos descomprometidos do povo nas construções. Aqui está uma aplicação de estores única! Mais um tesourinho da estrada Nacional 203, entre Ponte de Lima e Ponte da Barca.

CASA CAIXOTES


Há uma certa convenção de que os desenhadores e engenheiros fazem brutas vivendas, e que os arquitetos fazem casas caixotes. Aqui está uma bruta vivenda feita de caixotes! Não estou a criticar o projeto. Antes pelo contrário, acho a casa engraçadinha e, contrariamente à previsão popular, parece estar a  resistir ao clima húmido do vale do Lima. Para os curiosos, fica junto à estrada nacional 203, na freguesia de Santa Cruz do Lima. Pelo que consta, é de uma arquiteta da terra, minha parente afastada. Não admira, aqui todos somos parentes afastados.