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SER SÓ TRAQUINA, LOIRA ME...


Foi inaugurada sexta feira a casa da cultura, em Ponte da Barca. Na parede surge estampado o hino de Ponte da Barca. Para quem não tem cultura musical, esta nota aqui do canto inferior direito não é o fim do refrão... a musica acaba naquela parte do "ser só traquina loira e me(?)" (falta o "menina para dar ao pé")

A cultura em Ponte da Barca parece estar no bom caminho, mas ainda é meia menina a dar ao pé. Mas isso da cultura afinal é o quê? A procurar resposta para esta pergunta, acabei por escrever este texto. Vale a pena ler porque lá para o meio falo de sexo e tiros.

BRAVÃES OU OFIR?

Fig.1 Casa em Bravães, em cima e casa de Ofir de Fernando Távora, em baixo.

Hoje apetece-me falar sobre um interessante fenómeno do mercado construtivo atual. Cada vez mais se vulgarizam as chamadas ‘casas de arquiteto’, num meio que ainda não está, na sua generalidade, culturalmente apto a compreender e valorizar arquitetura de qualidade (projetistas incluídos).
A produção arquitetónica rege-se por uma cultura que absorve e reinterpreta símbolos, transformando-os. A falta de criatividade, ou o facilitismo, ou a humildade, ou outra coisa qualquer tem levado a que os símbolos sejam seguidos ao pormenor, não vá a obra ficar incoerente, ou inestética, ou inadequada, ou inoutracoisaqualquer.

ARQUITETO E ENGENHEIRO: AFINAL QUAL É MELHOR?

Antes de mais, apresento aqui um gráfico que demonstra a percentagem de projetos de arquitetura aprovados por tipo de autor em Ponte da Barca, no período entre Julho de 2009 e Julho de 2014.
Aos arquitetos, coube uma fatia de 16,5% dos projetos de arquitetura. 
Não será hoje que faço um comentário sobre estes dados, que levantarão questões bastante interessantes numa próxima publicação.

AS ÁRVORES DO POETAS

(axonometria do jardim dos poetas - plano de reabilitação e salvaguarda do centro histórico de Ponte da Barca, 1988)
Em Ponte da Barca havia uma linda rapariga que adormeceu ao sol e ficou com uma grande marca da roupa no corpo. Por vergonha, passou o resto do Verão sem se despir e a marca passou a notar-se ainda mais. No verão seguinte, de tão grande que foi a marca do ano anterior, ainda se notavam as marcas do sol e da falta dele. Decidiu repetir o processo e passar mais um Verão sem tirar a roupa. O ciclo repetia-se. Ninguém era alheio à sua beleza, embora todos estranhassem que a rapariga nunca se despisse junto ao rio. Até que um dia, a rapariga, cansada de se esconder, decidiu tirar a roupa e todos apontaram o dedo às marcas do sol. A sua pele branca, com manchas avermelhadas e borbulhas, contrastava com os braços queimados. No entanto, passado uns tempos, a rapariga recuperou a sua pele dourada e todos se rendiam à sua beleza.

9999





Não sou de dar muita importância a números mas é com algum agrado que vejo o meu jovem blog atingir as 9999 visualizações sem ter nada de jeito. Fica apenas a promessa de que o conteúdo não vai melhorar doravante.
A propósito do festejo, lanço o convite para visitarem a feira do livro de Ponte da Barca amanhã, dia 23 de Maio às 16:30h, onde vão poder encontrar um dos arquitectos que participou no inquérito à arquitectura popular. Não, não é o António Meneres outra vez. Desta vez é o professor Carlos Carvalho Dias. Vem apresentar o livro "Memórias de Trás-os-Montes e Alto-Douro". 
No programa que circula da feira do livroo nome da obra é "Arquitetura Popular", mas tudo não passa de um erro.

UM PEQUENO PASSO PARA A HUMANIDADE, UM GRANDE PASSO PARA A BARCA


Ao que tudo indica, Ponte da Barca, palco da arquitectura popular de toda a espécie e geração, foi a terra escolhida pela Escola Superior das Artes de Coimbra (antiga ARCA) para acolher o curso de estudos avançados em arquitetura popular que se realiza no próximo ano lectivo.
Estão ainda em estudo as unidades curriculares do curso, que serão discutidas entre a instituição de ensino e o município, havendo um interesse local para utilizar exemplos da arquitetura popular barquense como casos de estudo.

"A ARQUITETURA POPULAR E TERRITÓRIO"

(instalação de rede de águas com originalidade popular)

A quinta edição do ciclo de tertúlias e conferências Quintas na Barca inicia-se amanhã, dia 15 de Maio de 2014, com o Arquiteto Manuel Teixeira, Professor Catedrático da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e o Engenheiro Francisco Calheiros, Presidente da Turihab, com uma refl exão em torno da Arquitetura Popular, dos seus valores e de como estes podem constituir uma oportunidade para o território.
Org.: Município de Ponte da Barca
Local: Paços do Concelho (câmara municipal)

JANUÁRIO GODINHO 桥驳船


Hoje no arquivo municipal de Ponte da Barca tive a confirmação do que já aqui tinha falado. A Barca tem um edifício de arquitectura moderna que não deve ser desprezado. O edifício da antiga garagem Bouças foi projectado pelo arquitecto Januário Godinho, um dos mestres da arquitectura moderna portuguesa. O projecto é de 1948.
Como se percebe hoje, o edifício é um monumento de projecção intercontinental, atraindo a atenção de povos orientais que aqui estabeleceram negócio. Para além de gasolineira/oficina e loja dos chineses, lembro-me que era aqui que se vinham buscar bolas do PS na campanha das autárquicas de 2005.
Em 2007 o proprietário tentou licenciar um novo edifício, projecto de arquitecto, que propunha a demolição total do edifício. O processo de licenciamento foi indeferido pela câmara municipal para bem do património mas o seguimento, como hoje se vê, não foi o melhor.
O valor deste edifício já tinha sido sublinhado no blogue de um arquitecto barquense quando circulavam os rumores de uma eventual demolição. Directa ou indirectamente, a verdade é que o apontamento feito nesse blog acabou por influenciar o indeferimento do processo, já que existe uma cópia da mensagem de blogue no processo da câmara.

BRAVÃES, 1972

Em 1972 realizou-se em Bravães a missa nova do padre Freitas, momento registado na fotografia a cima. Em baixo está a mesma prespetiva, 42 anos depois.
A única estrada pavimentada era a estrada nacional, que aparece na fotografia. A primeira estrada secundária só foi aberta 3 anos depois. A luz eléctrica fazia 12 anos em Bravães, pelo menos a da igreja.

MIMETISMO ARQUITETÓNICO

Em 1931, lá pelas américas, um comerciante fez um edifício em forma de pato, que vendia ovos de pato. O edifício ficou famoso no livro "Learning from Las Vegas" do célebre arquitecto americano Robert Venturi.
Ao lado, temos um exemplar da mesma espécie. Um edifício em forma de barril, que vende garrafas de vinho verde de Ponte da Barca!
O desenho da esquerda é de Robert Venturi, e o da direita é de Roberto Ventura, um pseudónimo que me acabou de surgir.


Os arquitetos perderam o costume de contemplar sem espírito de crítica o ambiente. A arquitetura moderna tem sido tudo menos tolerante. Os arquitetos preferem mudar o meio ambiente a revaloriza-lo. Mas não é nenhuma novidade inspirarmo-nos no vulgar, a arte culta provem muitas vezes da arte popular. Se olharmos para trás, para a história e tradição para avançar, também podemos olhar para baixo para subir. 



Robert Venturi

CASA DO TRACTOR

Aqui está um projeto que eu gosto, que se funde num olhar desatento com os barracões e anexos que se vão construindo um pouco por toda a paisagem dos novos meios rurais. O projeto é do A.s* Atelier De Santos. Um bom exemplo de como armar barraca.

EM TEMPO DE QUARESMA, AGUARDEMOS A RESSUREIÇÃO


Oh ponte da barca oh ponte,
Oh terras de lá de cima
Com suas casinhas brancas
Viradas para o Rio Lima

Era uma casa simples, de um avô pedreiro e de uma avó que se dedicava à casa e à lavoura, como todas as avós. A foto é do final dos anos 80, tirada apartir do terraço onde se malhava o milho e estendiam os frutos da terra ao sol. A guarda que circundava o terraço era muito baixa, feita em tijolos afastados, num xadrez de aberturas que coroava um dos anexos da casa. O plano horizontal do terraço prolongava-se para o plano da ramada, que envolvia a pequena casinha branca, como tantas outras, e a refundava na paisagem verde do vale do Lima. As árvores rompiam ramadas até ao nível das janelas, de onde se podia colher os frutos sem sair de casa. Era uma casa viva.

CAMINHOS DOS LUGARES

A meio da minha dissertação de mestrado, que estuda os atores e os autores da arquitetura do quotidiano no vale do Lima, é com agrado que vejo o território difuso ser, cada vez mais, tema de discussão cientifica em arquitectura.
O último caso é o da revista unidade, que pretende que o seu próximo número debata o tema da ocupação complexa e fragmentada dos territórios portugueses, destacando o NO português. 

Caminhos dos lugares:
Colonização da cidade in-formal (RETIRADO DA PÁGINA WEB DA REVISTA UNIDADE)


O debate sobre o território contemporâneo confronta-se com paradoxos enredados numa estrutura de inegável complexidade material e formal. A paisagem do noroeste português, muito em particular, é exemplo dessa complexidade, de onde são perceptíveis marcas simultâneas de antiguidade e contemporaneidade que compõem um sistema prolixo comum.

TIPO DE COBERTURA: LASANHA

Axonometria da estrutura do telhado da casa da Bemposta, que estou a reconstruir.

NEO MODERNO VS NEO RÚSTICO




Depois do advento, da prosperidade e do apogeu do neo-rural que pontuou a paisagem construtiva arquitectónica corrente, com zénite na segunda parte dos anos 90, o novo-riquismo arrivista vai adaptando o seu cânone arquitectónico a linguagens mais consentâneas com uma qualquer ideia de sofisticação e de modernidade.

FACHADA

Lá ia eu e a minha ingenuidade, que sempre me acompanha, pelas ruas de Matosinhos, até que esta casa nos chamou à atenção. Saquei da máquina fotográfica, tirei o retrato e segui caminho, curioso por saber quem seria o desenhador daquela fachada tão ambígua. Era demasiado livre para ser erudita, mas tinha uma atenção para a composição que não é para qualquer popular. Uns dias depois, dou com a mesma casa numa tese de mestrado. Afinal vai-se a ver e é uma casa do Siza, em Matosinhos. Bela gaiola, mr. Pritzker I.

WRIGHT OR WRONG?



A casa da cascata, de Frank Loyd Wright, é provavelmente a obra arquitetónica mais icónica do último século, atingindo universos muito para além da cultura arquitetónica. 
Cinquenta anos passados surgem estas re-interpretações pimba, mais uma vez junto à estrada nacional 203 entre Ponte da Barca e Ponte de Lima.

CASA CAIXOTES


Há uma certa convenção de que os desenhadores e engenheiros fazem brutas vivendas, e que os arquitetos fazem casas caixotes. Aqui está uma bruta vivenda feita de caixotes! Não estou a criticar o projeto. Antes pelo contrário, acho a casa engraçadinha e, contrariamente à previsão popular, parece estar a  resistir ao clima húmido do vale do Lima. Para os curiosos, fica junto à estrada nacional 203, na freguesia de Santa Cruz do Lima. Pelo que consta, é de uma arquiteta da terra, minha parente afastada. Não admira, aqui todos somos parentes afastados.

3,2,1


Decidi hoje começar a fazer um mini documentário pessoal com as fotografias e vídeos que vou captando do processo construtivo da minha casa em Lavradas. Quando for altura, publicarei qualquer coisinha.

ARQUITETROLHA

(eu, talvez em 2003, numa primeira intervenção na casa de Lavradas, atualmente a ser restaurada sob minha orientação)
Estou numa crise de sentido...
Cresci a chamar trolhas ao que todos chamam pedreiros. Para mim, um pedreiro é alguém que constrói alvenaria em pedra. Um trolha, por exclusão, seria alguém que construía em materiais mais artificiais como tijolo e betão.