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AS ÁRVORES DO POETAS

(axonometria do jardim dos poetas - plano de reabilitação e salvaguarda do centro histórico de Ponte da Barca, 1988)
Em Ponte da Barca havia uma linda rapariga que adormeceu ao sol e ficou com uma grande marca da roupa no corpo. Por vergonha, passou o resto do Verão sem se despir e a marca passou a notar-se ainda mais. No verão seguinte, de tão grande que foi a marca do ano anterior, ainda se notavam as marcas do sol e da falta dele. Decidiu repetir o processo e passar mais um Verão sem tirar a roupa. O ciclo repetia-se. Ninguém era alheio à sua beleza, embora todos estranhassem que a rapariga nunca se despisse junto ao rio. Até que um dia, a rapariga, cansada de se esconder, decidiu tirar a roupa e todos apontaram o dedo às marcas do sol. A sua pele branca, com manchas avermelhadas e borbulhas, contrastava com os braços queimados. No entanto, passado uns tempos, a rapariga recuperou a sua pele dourada e todos se rendiam à sua beleza.